Viajar sozinha sem planejar e sem roteiro diário definido

Viajar sozinha sem planejar e sem roteiro definido, já experimentou? Eu fiz isso agora, na minha última viagem na Europa que durou 3 meses. Geralmente, recomendo para quem está começando a viajar sozinha, a planejar e pesquisar bastante sobre o destino, pois acho que isso faz com que a gente se sinta mais confiante e deixe o medo de viajar sozinha de lado.

Também acho que pesquisar e planejar faz com que a gente comece a viagem mesmo antes de sair de casa! O que é uma delícia! Mas hoje quero dividir com você o que percebi viajando sozinha de maneira bem diferente do que costumo fazer.

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Como (não) me preparei para 3 meses de viagem

Para os três meses sabáticos na Europa, tive pouco tempo entre decidir sobre a viagem e de fato embarcar. Comprei a passagem no dia 7 de Março, na sequência embarquei para Nova Iorque por 10 dias, voltei e embarquei logo depois, dia 17 de abril. Pouco tempo para organizar uma série de coisas da casa e de trabalho que ficariam “órfãs” por três meses por aqui. Nem pensei em fazer roteiro dia a dia, pois do jeito que costumo fazer, precisaria de muito tempo! E 3 meses fica complicado de planejar, né?

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Bom, mas tinha que comprar a passagem, então, resolvi que chegaria por Amsterdam, pois estava na época de visitar Keukenhof, o famoso parque das tulipas. Ficaria uma semana e seguiria de trem para a minha base em Paris. Voltaria ao Brasil em julho, quando estivesse completando 86 dias de viagem, quase no limite para os 90 dias permitidos aos brasileiros permanecer no Espaço Shengen sem visto.

Feito isso, reservei meu hotel em Amsterdam, contratei o seguro viagem e também emiti a minha Carta Shengen pelo cartão de crédito. Comprei euros, fiz a mala e embarquei. Planos e roteiro para os 3 meses? Nenhum. Apenas uma ideia de que queria viajar um pouco pela Europa!

Arco do Triunfo, Paris, França

Depois da minha chegada em Paris é que resolvi, enfim, tomar algumas decisões. Afinal, se deixasse rolar solto, ia acabar ficando só em Paris, porque amo aquela cidade. Parei um dia e decidi: que iria a Itália para tentar resolver a certidão de nascimento do meu bisavô para o processo de cidadania e que iria viajar para o Leste Europeu. O resto do tempo seria para flanar em Paris e arredores.

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Para a viagem a Itália não havia grandes preparativos: passagem aérea só de ida, hotel por 3 dias e o resto resolveria lá. Para o Leste Europeu, me concentrei em definir as cidades que gostaria de conhecer, quantos dias ficaria em cada uma e como me deslocaria entre elas. Fechado o roteiro, reservei os hotéis e comprei os deslocamentos. Usei todos os tipos: trem, ônibus, shutle e avião. Comprei alguns guias em papel, mas não li nada sobre as cidades. Fui curtir Paris até a data das viagens.

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Viajar sem planejar quase nada e sem saber o que ver em cada nova cidade ou país é, para mim, uma maneira completamente nova de viajar e fora da minha zona de conforto. Viajar sem planejar e sem um roteiro diário foi interessante, me trouxe alguns desafios e fez eu aprender mais coisas sobre mim. Como qualquer coisa na vida, há os dois lados. Percebi pontos positivos e negativos nessa maneira de viajar. Vamos ver ?

Pontos positivos em viajar sozinha sem planejar

Mais leve e solta

Mais leve, mais solta, mais aberta ou poderia dizer, menos burocrática. Sou daquelas que gosta de fazer tudo com antecedência e deixar tudo planejadinho, anotadinho, mesmo que vá trocar tudo durante a viagem. Isso sempre me deixou segura e confortável para viajar sozinha para qualquer lugar.

Viajar sem ter que ver todos os pequenos detalhes te deixa mais leve, mais criativa e mais aberta as novidades ou as nossas vontades. Na véspera da viagem para outra cidade, eu abria o celular e olhava como ir do aeroporto ou estação de tem para meu hotel. Ou, acordava, abria o guia impresso da cidade e via o que ia fazer naquela manhã. Saía com uma ideia e, quase sempre, acabava mudando tudo no meio do caminho, pois havia descoberto uma outra coisa mais interessante para fazer. É uma sensação bastante gostosa e de liberdade total.

Aprender a relaxar em imprevistos

Impossível em uma viagem de três meses não acontecer nada de errado! Imprevistos fazem parte da vida e das viagens. Sempre vai ter uma coisinha, por menor que seja, que não vai ser / acontecer como você imaginou / planejou. Bom, tive várias pequenas coisas que me atrapalharam!

Passeio ao Mont Saint Michel Denise Tonin
Mont Saint-Michel, França. Dignidade zero na foto por conta do calor (hahaha), mas felicidade nível 100% por ter realizado mais um sonho!

Daí você tem duas opções: se estressar ou tentar relaxar e aceitar. Fui obrigada a aprender a relaxar com as situações adversas e isso foi um aprendizado. Era isso ou ficaria irritada a viagem toda e eram 3 meses. Isso não foi uma coisa fácil pra mim e nem posso dizer que fui um sucesso absoluto nessa tarefa, mas ri muitas vezes de mim mesma e chorei de raiva também. Consegui me sair bem em algumas situações e, em outras, não rolou e fiquei muito irritada e mal humorada.

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Entender que não temos o controle sobre tudo e que relaxar e aceitar é muito melhor já foi um começo. Hoje me sinto um pouquinho mais evoluída nesse sentido do que quando saí de casa para essa viagem! Viajar é sempre um aprendizado, ainda mais quando estamos sozinhas!

Surpreender-se

Uma sensação maravilhosa e inesquecível é surpreender-se com alguma coisa ou com algum lugar. Vivi essa sensação diversas vezes durante essa viagem! A primeira foi quando pisei dentro dos muros de Citadella, cidade onde meu bisavô nasceu.

Que emoção e que cidade linda! Ia andando, arrastando a mala e pensando: cara, estou em uma cidade de conto de fadas! Fiquei completamente deslumbrada com as muralhas que a cercam e pela beleza da pequena vila italiana. Somado a isso, a sensação de pisar no mesmo chão que meu bisavô pisou foi forte e Citadella foi um lugar, onde o tempo passou diferente e, mais uma vez, tive que aprender e entender.

Citadella, Itália

Outro ponto alto de encantamento, foi em Varsóvia, quando caminhava domingo pela manhã na rua mais linda da cidade, a Nowy Swiat. Não havia quase ninguém na rua, pois era muito cedo. Foi quando me surpreendi ao sentar em um banco da rua e vi o botão de play. Os bancos por lá tocam trechos das composições de Chopin! Fui sentando em cada banco pelo caminho e escutando as músicas. Simplesmente incrível!

Imagino que, se eu já tivesse lido sobre os bancos em Varsóvia ou, se tivesse pesquisado bastante sobre Citadella, a sensação de surpresa e encantamento não teria sido a mesma. Concorda comigo?

Rua Nowy Swiat , Varsóvia, Polônia

Flexibilidade

No meu roteiro viajando sozinha pelo Leste Europeu, fiz o planejamento das cidades e dos deslocamentos, porque tinha data para voltar. Mas fora isso, estava completamente livre até para não fazer nada nas cidades. Sem um roteiro diário montado e engessado, você consegue ter mais flexibilidade e fazer coisas inusitadas, que podem aparecer no meio do caminho.

Estava em Praga, andando pela cidade e resolvi perguntar pra um motorista de tuc tuc quanto custava o passeio. Não tinha intenção de fazer o passeio, mas acabei conhecendo uma francesa que estava com os dois filhos adolescentes e acabamos dividindo o passeio. Foi divertido, ficou mais barato e fiz novas amizades.

Se você se dá essa liberdade / tempo de flanar pela cidade, com certeza, vai conhecer coisas novas e perceber a cidade de uma maneira diferente e mais intensa.

Pontos negativos em viajar sozinha sem planejar

“Perder” alguma atração

Se você não planejou seu roteiro e as atrações que gostaria de ver em cada local, poderá “perder” alguma atração, pois você não sabe que existe ou, simplesmente, porque deveria ter comprado seu ingresso com antecedência e não o fez.

Aconteceu isso comigo em Pádova, na Itália, onde não consegui visitar a Cappella degli Scrovegni, porque meu cartão de crédito não passou na hora de comprar online. Acabei perdendo o último lugar para visitá-la naquele dia. Fiquei arrasada com isso? Não, um pouco chateada. Uma pena, mas está tudo bem.

A gente, definitivamente, não precisa ver tudo e entrar em TODAS as atrações em nossas viagens. Mas precisa Não sofri por isso e fui fazer outra coisa. Acho que é uma desvantagem, mas ao mesmo tempo, algo que depende dos objetivos da sua viagem.

Ansiedade & Apreensão

Um pouco de ansiedade e apreensão em algumas situações foi o que senti por não ter todos os detalhes dessa viagem sob o meu controle. Esse é um sentimento bem pessoal e pode não acontecer pra todas as pessoas. Vai depender muito do temperamento de cada uma.

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Quando a gente não planeja, muitas coisas ficam para ser feitas na hora. E, para pessoas como eu que gostam de planejar nos mínimos detalhes, pode gerar um pouco de ansiedade. Até porquê, se você não viu antes como fazer, vai aprender e fazer na hora. Pode ser que não saia exatamente como você pensou e eu tenho problemas em aceitar isso. Daí a minha pequena ansiedade. Também não é nada que você não consiga administrar, mas considero uma desvantagem.

Liberdade X indecisão

Quando a gente tem muita liberdade para preencher o dia, pode ir pra qualquer lugar e não tem ninguém pressionando pra fazer alguma coisa e pra cumprir determinado horário, podemos ficar levemente indecisas e, às vezes, pode até dar preguiça de fazer alguma coisa.

Aconteceu comigo algumas vezes durante essa viagem mais longa: acordava e não sabia bem por onde começar o passeio. Podia ir pra lá ou pra cá e tudo bem, então, ficava um pouco indecisa e acabava perdendo um certo tempo até me decidir por onde começar.

Acho que esse sentimento é normal, porque quando estamos em uma cidade nova, há muitas coisas para descobrir, ver, visitar, fazer. Se não lemos antes sobre as atrações, acabamos não tendo as nossas prioridades e isso tudo pode deixar a gente indecisa e acabamos perdendo um pouco de tempo até tomarmos uma decisão.

Preços mais altos

Em algumas situações, vai acontecer de você pagar mais caro por comprar em cima da hora. Foi o que aconteceu comigo na passagem de trem entre Amsterdam e Paris que, se comprada com antecedência, pode sair até metade do preço.

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O mesmo pode acontecer com as passagens aéreas. Deixei uma passagem aérea em aberto e acabei voando de low cost, mas sem o preço baratex que normalmente você consegue pagar nestas empresas.

Denise-Tonin-Viajante-Solo-Paris
Trocadero, Paris, França

Lidar com mais imprevistos

Como já falei mais acima é quase impossível fazer uma viagem longa e não acontecer nenhum imprevisto. Os que aconteceram na minha viagem foram leves e me ajudaram a aprender mais sobre as minhas reações. Então, eles entram como um ponto positivo e também como ponto negativo, pois acredito que, se a gente deixa o planejamento mais em aberto, a probabilidade de acontecer imprevistos fica bem maior.

Gastar mais tempo com pequenas coisas

Por vezes, você gastará mais tempo buscando informações sobre atrações, preços, como comprar o ingresso, se está aberto ou não, como chegar, estas coisas. Mas hoje em dia, tudo isso está a poucos clicks no seu celular. Por isso, a importância de estar conectada o tempo todo.

O equilíbrio

Viajar sozinha sem planejar e sem roteiro diário definido, como vimos, tem as suas vantagens e as suas desvantagens como tudo na vida. Depois dessa viagem, minha maneira de viajar mudou bastante! Mas continuo recomendando o planejamento em detalhes para quem está começando a viajar sozinha.

Essa nova maneira de viajar sozinha me trouxe novas experiências e aprendi a lidar com algumas dificuldades que tenho. O que pretendo buscar daqui pra frente para as próximas viagens é um equilíbrio, um meio termo na hora de planejar. Definir cidades, hotéis e deslocamentos pra mim é prioridade. O resto, pretendo deixar sempre em aberto para curtir mais a liberdade e as surpresas! O que acho que poderia ter feito é ter começado a fazer isso com mais antecedência.

E você ? Como gosta de viajar ? Com tudo amarradinho ou com mais liberdade? Me conta nos comentários!

4 COMENTÁRIOS

  1. Muito bacana! Tenho o sonho de ir para Portugal, mas confesso que também gostaria de conhecer mais do Velho Mundo. Você fala várias línguas? Caso tenha uma postagem sobre isso me indica como se virar sem falar o idioma?
    Abraço 🙂

    • Oi Priscila, tudo bem ? Você pode começar por Portugal e esticar até a Espanha, onde vai entender o idioma também. Eu falo inglês, um pouco de francês e isso ajuda muito e abre muitas possibilidades de conhecer outras pessoas e os lugares mais a fundo. Recomendo muito todo mundo a falar inglês. Mas não falar um idioma não impede ninguém de viajar para outros lugares, basta fazer um planejamento mais completo, pesquisando as coisas com mais detalhes. Outra possibilidade é ir com agências que oferecem guias em português, mas daísai um pouquinho mais caro. O importante é não desistir de viajar! beijos

  2. Gosto de todo tipo de viagem, porém cada vez mais,( não sei se por experiência, idade, ou egoísmo, ou tudo junto), às solo se mostram mais atrativas.
    Gosto do planejamento organizado: saber onde ir, quanto tempo é os meios de locomoção. Uma pesquisa básica do que encontrar, mas liberdade para gerir tudo isso.

    • Maria Lucia, tudo bem ? Eu tbm sempre viajei com tudo planejadinho e acho que no decorrer dos anos a gente acaba buscando algumas mudanças ou ter novas experiências. O que vale mesmo é cada uma viajar da maneira que gosta, né? Obrigada por compartilhar e obrigada pela visitinha. beijão

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