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O Oriente Médio é super “temido” pelas mulheres que viajam sozinhas, devido as diferenças culturais e também ao tratamento dado a elas nestes países. Existem histórias reais de segregação, agressões, mutilação e por aí vai. Mas como tudo nessa vida, há mitos e, nem sempre, as experiências são terríveis como ouvimos por aí. Por isso, hoje, o texto é da Marcele Hannan, que conta um pouco de sua experiência por lá. Boa leitura!
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Olá leitores do Viajante solo!
 
Estou muito feliz com o convite da querida Denise, para contar um pouco da minha experiência pelo mundo. Foram quase 7 anos, Sozinha no Oriente Médio!
 
Sou advogada de formação, mas fui levada para o mundo da arte quando cursava a faculdade de Direito.
 
Foi no ano 2000 que tive meu primeiro contato com a dança do ventre e logo me apaixonei. A princípio era um hobby, fazia por prazer. Eu queria realmente ser advogada mas o amor pela dança falou mais alto.
 
Comecei a fazer aulas, me aperfeiçoar, viajar para outros estados para apresentações e cursos. Logo estava fazendo a prova para o Sindicato da Dança do RJ o que me habilitaria tornar-me professora. Passei em avaliações importantes e conceituadas até ser convidada a fazer uma seleção para trabalhar no exterior.
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Confesso que apesar de amar viajar, não me imaginava dançando em outro país, mas a aprovação naquela seleção me despertou vários sentimentos: entusiasmo, medo, realização, dúvida…
 
Foram quase 2 anos consultando pessoas que já tinham passado por essa experiência. Queria tomar coragem e vencer meus medos, mas cada pessoa falava uma coisa diferente.
 
O certo é que você nunca vai saber a real verdade se não passar na pele por tal situação. Cada pessoa tem suas opiniões, ideias, feridas e visão do mundo e pesar só essas opiniões pode te fazer perder uma oportunidade. Portanto, CORAGEM! Faça sua pesquisa, estude a cultura e a história do lugar, siga sua intuição e vá em frente! Foi o que eu fiz!
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Em 2007, num misto de receio e coragem fui para Ras al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, para trabalhar no meu primeiro contrato de dança do ventre. Minha ideia seria cumprir o tempo do contrato (1 mês) e voltar. Afinal, gostando ou não o tempo passaria rápido e logo estaria de volta.
 
Engraçado que meus medos eram diferentes dos medos das outras pessoas (minha família, por exemplo). As pessoas têm muito receio em relação ao mundo árabe e isso era uma coisa que realmente eu não tinha. Meu medo era interno: como eu ficaria sozinha? Nunca tinha ficado tanto tempo comigo mesma e, sinceramente, achei que não ia conseguir.
 
A surpresa foi que um contrato de 1 mês, virou vários contratos dentro de 1 ano. Sim, fiquei 1 ano direto sem voltar para o Brasil e o mais interessante foi que parece que me encontrei.
sozinha-no-oriente-medio-4-minsozinha-no-oriente-medio-4-minClaro que estando em outro país, longe de família e amigos, passamos por situações boas e outras nem tanto, mas é uma forma da gente se ver, de estar consigo mesma, de depender de si própria e da sua força e de tomar decisões sozinhas. Isso te faz crescer, amadurecer, pensar.
 
Esse processo durou aproximadamente 6 anos, viajando para diversos lugares, seja a trabalho, passeio ou aperfeiçoamento técnico. Pude visitar: Ras al Khaimah, Dubai, Abu Dhabi, Al Ain, nos Emirados Árabes Unidos; Cairo, Alexandria, Luxor e Sharm el Sheik no Egito; Amã, Aqaba e Petra, na Jordânia, Bahrain; Líbano, Omã e Turquia.
 
Sem dúvida há diferenças em viajar sozinha e acompanhada. Principalmente,  para nós mulheres. Tive algumas questões ao passar pela imigração, por ter muita mala, por ser brasileira, por não falar determinado idioma e por aí vai. Mas no geral, posso dizer que as experiências boas superaram as ruins.

Quando decidi viajar, o maior receio das pessoas que eu conhecia era minha situação como mulher, bailarina, viajando sozinha para países árabes, onde se ouve tantas histórias negativas envolvendo mulheres.

O que eu posso falar da MINHA experiência é que não passei por nada constrangedor ou difamatório que me impedisse de continuar viajando e gostando destes países.

Considero que algumas coisas desagradáveis que aconteceram comigo como cantadas, preconceito por ser artista, desconfiança na imigração por ser uma mulher sozinha viajando etc são coisas que poderiam acontecer no Brasil, Estados Unidos ou Europa, por exemplo, como já aconteceram, inclusive.

Penso que ninguém está 100% livre de passar por algum imprevisto ou situação não tão agradável em qualquer lugar do mundo, mas uma coisa eu SEMPRE fiz: estudar e respeitar a cultura local.

O mundo árabe é composto por volta de 20 países, distribuídos em 2 continentes e não podemos generalizar cultura, religião e comportamentos. Com certeza viver no Líbano é bem diferente do que viver no Yemen, e ambos são países árabes.

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A cultura árabe é vasta e rica! Fui bem acolhida e acho que nada melhor do que ter uma vivência em determinado lugar para compreendê-lo. Isso te faz entender várias coisas e não falar algo sem saber ou porque ouviu por aí nos noticiários.
sozinha-no-oriente-medio-5-minFoi uma experiência realmente incrível!!!! E se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo!!!! Por isso digo e repito: Não tenha medo! Viajar é uma das melhores coisas da vida e isso te fará melhor, te fará crescer e ter valores diferentes!
 
Viajar é mais do que a visão de pontos turísticos, é a mudança que acontece, profunda e permanentemente, no conceito sobre o que é a vida. 
                                                                                                        Miriam Beard

1 COMENTÁRIO

  1. […] Leiam o texto que escrevi para o Viajante Solo aqui —–> Sozinha no Oriente Médio […]

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