Sozinha em Malta por Andrea Carla Santos-min

Fui Sozinha | Andrea Carla SantosHoje vamos falar um pouquinho de Malta, país situado ao sul, no continente Europeu. Muito procurado por quem quer estudar no exterior, hoje vamos saber um pouquinho mais como é estar Sozinha em Malta, na voz da Andrea, 34 anos, que vem da linda cidade de Recife. Atualmente ela está dedicada a terminar seu doutorado em Recursos Pesqueiros na UFRPE.

Qual o motivo que te levou a fazer esta viagem sozinha?

Começando do começo, eu queria fazer um curso de férias de inglês em um lugar que tivesse um clima similar ao do Brasil e que valesse a viagem também. Fui sozinha porque, principalmente quando você faz uma viagem tão dispendiosa, é muito difícil encontrar alguém para ir junto. Além disso, precisava aprender inglês e a última coisa que eu queria era ficar grudada em alguém que falasse português o dia todo.

Não tive medo, apesar de ter sido minha primeira viagem solo, pois tive muito cuidado no meu planejamento para não passar aperto. Poderia ter feito um intercâmbio mais barato? Poderia. Poderia ter ficado mais tempo lá, pagando menos? Poderia. No entanto, segurança em primeiro lugar. Quis casa de família, quis transfer do aeroporto, quis curso intensivo e não ter que trabalhar durante a viagem.

Documentos

Brasileiros não precisam de visto para Malta. Podemos ficar com visto de turista por até 90 dias. As escolas de inglês geralmente só vão exigir visto de estudante se você for ficar além desse tempo.

Leia também >> Documentos exigidos para entrar na Europa

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Entrei por Lisboa e foi muito tranquilo, só me perguntaram de que cidade brasileira eu estava chegando e pediram para ver a passagem. O único inconveniente mesmo foi que extraviaram minha mala. A sorte foi que eu tinha levado uma muda de roupa na bagagem de mão e itens de higiene também. Dois dias depois mandaram minha mala para a casa onde eu estava hospedada.

seguro_viagem_europa_728x90Planejamento

Meu planejamento começou procurando por escolas de inglês em agências de intercâmbio. Depois achei um site da Federation of English Language Teaching Organizations Malta (Feltom) que tem uma lista de escolas credenciadas. Se vamos investir num curso em um país estrangeiro, vamos começar pesquisando onde é seguro fazer isso.

Tem muita escola lá com preços variados, então escolhi uma intermediária em relação aos custos. Entrei em contato direto com a escola e foi a melhor coisa que aconteceu. Gente, a agência que eu contatei no Brasil me cobrava 400 Euros de taxa de verão e a escola me cobrou 90 Euros de taxa. Olha que diferença!

Intercâmbio

A escola escolhida foi a EC Languages Malta e a hospedagem eu fechei com eles também: quarto duplo em casa de família com meia pensão (café da manhã e jantar). As 10 semanas com o curso de inglês (escolhi inglês geral intensivo e depois migrei para o TOEFL) e a hospedagem custaram 3700 Euros (2014). Valeu muito o investimento, iria fazer doutorado sanduíche em 2015 e a universidade americana que eu estava indo exigia o TOEFL, com score mínimo de 80 de 120, sendo que você não poderia tirar menos de 22 em nenhuma parte (writing, reading, listening e speaking). Consegui tirar 91 com 6 semanas de curso (nas outras 4 fiz General English).

O melhor dessa escola era que tinham várias aulas extras de graça, acesso a um clube de praia (somente no verão, por questões óbvias) e ao mudar de curso/nível você não pagava nada a mais. Alguns amigos que fiz lá estudavam em outras escolas que, em teoria, eram mais baratas, mas que cobravam várias taxas, inclusive do material novo quando você mudava de nível.

Hospedagem

Sobre a família que morei só uma palavra define: MARAVILHOSA! Morava com uma senhora chamada Monica e um gato chamado Tipsy e dividia o quarto com uma estudante turca de outra escola (que nunca estava em casa). Além disso, o filho dela e outros familiares viviam visitando. Participei de vários jantares em família e eles ainda reclamaram um dia que eu comprei maçã verde, falaram que era para eu dizer o que gostava de comer que eles comprariam para mim. Até hoje mantemos contato e eu já voltei lá para visitar em 2015.

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Turistar em Malta

Agora vamos ao turismo! A República de Malta é formada pelas ilhas de Malta (a principal), Gozo e Comino e tem cerca de 410 mil habitantes (no verão recebem em média 600 mil turistas). Os idiomas oficiais são o inglês e o maltês (parecido com o árabe), sendo que vários deles ainda falam italiano também.

Sozinha em Malta Por do Sol
Imagem Pixabay

O povo é extremamente caloroso e receptivo onde quer que você vá. São muito atenciosos e, quando veem um turista parado com um mapa na mão, muitos se oferecem para ajudar com várias dicas de lugares para visitar. É um lugar muito seguro e as cidades são menores que nossos bairros no Brasil.

Morei em Sliema (a pronúncia seria algo como “islima”), que é considerada a Copacabana de Malta. Tem um calçadão que sempre tem gente andando ou correndo. Sempre. Toda hora tem gente ali. Ia a pé para a escola, porque gostava de olhar a paisagem e levava cerca de 25 minutos caminhando (detalhe que a escola era na cidade vizinha, St. Julians).

Sozinha em Malta | Sliema landscape
Sliema

Dicas de passeios

Tem vários passeios legais para fazer e com um preço justo. Mas você consegue fazer tudo em Malta por conta própria. Geralmente no próprio aeroporto você pode pegar um panfleto com todas as linhas de ônibus e um mapa que te indica que ônibus pegar para visitar os lugares. Eu acho legal dar uma pesquisada nas principais atrações turísticas antes de ir para ver o que te interessa mais. Eu deixei de ver muita coisa, porque só comecei a sair mesmo depois do primeiro mês, quando encontrei uma brasileira que já estava deixando a ilha e que me deu vários panfletos e dicas de lugares para ir. Saí um fim de semana com ela e depois comecei a sair por conta própria.

Sozinha em Malta Gruta de Sao Paulo
Gruta de Sao Paulo

Malta é um lugar cheio de História. Tem vários museus para visitar e Igrejas belíssimas. Ah, tem um passe livre para os museus administrados pelo Heritage Malta, que custa 38 Euros estudante e 50 Euros adulto. Com esse passe você pode entrar por 30 dias, contando do primeiro uso, uma vez em cada museu.

Para ônibus, você pode comprar uma passagem, que vale por 2 horas, diretamente no ônibus. Os preços são 1.50 Euros no inverno, 2 Euros no verão e 3 Euros a noite. Também tem a opção de cartão ilimitado com validade de uma semana por 21 Euros adulto e 15 Euros criança, podendo usar ele dia e noite. Acredito que se precisa de pelo menos 1 semana para visitar os principais lugares, então compraria o de uma semana. Os taxis com os melhores preços são os da empresa Ecab (são os pretos).

E por falar em lugares para visitar, meus passeios preferidos foram em Valletta, Mdina e Gozo.

Valleta

Valleta é a capital de Malta e tem vários museus e lojas, destaque para a Casa Rocca Piccolla, o Palace Armoury Museum e a belíssima St. John’s Co-Cathedral que tem o maior Caravaggio do mundo (e que não pode tirar foto!).

Sozinha em Malta Valleta
Imagem Pixabay

Uma dica importante, quando entrei em Valleta com um mapa na mão, um homem me abordou pedindo dinheiro, mas já haviam me informado que é proibido mendigar e dar dinheiro a mendigos lá, pois o governo local tem vários programas sociais, então essas pessoas não precisam pedir dinheiro aos turistas (assim me falaram os nativos).

A Casa Rocca Piccolla é uma casa e um museu pertencente a uma família aristocrática maltesa, que mora no local. Todas as visitas são guiadas e além das obras de arte da família (e da própria casa ser uma obra de arte por si), também são visitados os abrigos anti-bomba da casa. O proprietário atual do local é o 9º Barão de Budach e 9º Marques de Piro. Ainda existe a opção de se fazer a Champagne Tour, que nada mais é do que uma visita guiada pelo Barão com Champagne no final.

O Palace Armoury Museum possui uma das maiores coleções de armas e armaduras do mundo. Essas armas foram usadas pelos Cavaleiros da Ordem de São Joao (Knights of Malta) para expulsar os turcos otomanos e defender a fé Católica na ilha (ainda hoje predominante).

Sozinha em Malta Armoury Museum
Armoury Museum

A St. Jonh’s Co Cathedral tem uma arquitetura muito linda e um museu próprio. Os valores dos tickets são 10 Euros adultos e 7.50 Euros estudantes. Esse museu fica aberto em dias e horários específicos, enquanto que parte da Co-catedral fica aberta nos horários das Missas. Geralmente quando uma Missa acaba as pessoas são autorizadas a entrar para tirar fotos (mas não podem circular dentro da Igreja para não atrapalhar quem está lá para fins religiosos). Outra coisa muito, mas muito importante: não pode entrar com os ombros descobertos nas Igrejas em Malta, geralmente tem echarpes nas portas das Igrejas que são emprestadas para as turistas mas se você quiser levar a sua na bolsa, melhor. Em Gozo eles são mais rigorosos: além de cobrir os ombros tem que cobrir as pernas também. Quando visitei Gozo, recebi uma “saia” para colocar por cima dos meus shorts (que não eram curtos).

Sozinha em Malta Co Catedral
Co Catedral

Mdina 

Mdina é uma (mini) cidade murada, que fica no centro da ilha de Malta e é a antiga capital do país. Conhecida também como Cidade Silenciosa por ter menos de 300 habitantes e ser proibida a entrada de carros de não residentes.

Sozinha em Malta Mdina Entrada e ruas
Entrada Mdina e ruas

Lá estão vários museus, mas vou destacar alguns, entre eles o Mdina Dungeons Museum, que é basicamente um museu que relata todo o tipo de tortura que ocorreu em Malta desde a ocupação romana, passando pela árabe, até a época da Inquisição. A energia do museu é bem pesada, ele é escuro e a sonoplastia é meio aterrorizante.

Outro museu bem legal em Mdina é o National Museum of Natural History, foi nele que eu adquiri meu multipass de 30 dias para os museus.

Uma atividade que gostei muito foi o the Knights of Malta Experience, onde primeiro você assiste a um filme falando dos Cavaleiros de Malta, como surgiu a Ordem (que existe até hoje) e tudo o que eles fizeram desde o surgimento. Depois você visita um museu.

Saindo mais da área museológica, a louca dos museus aqui quer recomendar uma loja e um restaurante local. A loja se chama Mdina Glass, que só dá para tirar foto mesmo, porque é tudo muito lindo, mas muito caro. E muito cuidado para não quebrar nada ou você vai ter um prejuízo enorme.

Para comer eu recomendo o Fontanella Tea Garden. Tive a oportunidade de visitar o Fontanella em duas ocasiões, uma durante o dia e outra durante a noite. Durante o dia experimentei um bolo de chocolate maravilhoso que é conhecido como o melhor de Malta. À noite, jantei pizza e vinho. Se vocês forem à noite vão sentir um pouco de frio (levem casaco) e entender o porquê do nome Cidade Silenciosa.

Rabat

Povo, tenho que abrir um parêntese aqui bem grande. Em frente a Mdina tem uma cidade chamada Rabat (literalmente apenas atravessando a rua). Nessa cidade, estão as St. Paul’s Catacombs, os cemitérios subterrâneos dos romanos. Mdina era chamada de Melita na época da ocupação romana e segundo as leis deles, corpos não podiam ser enterrados dentro da cidade. Outra visita bem interessante em Rabat é a St. Paul’s Grotto, a gruta onde o apóstolo Paulo ficou quando naufragou a caminho de Roma. Essa gruta foi visitada pelos Papas Joao Paulo II e Bento XVI.

Gozo

Para Gozo, a ilha vizinha, eu recomendo que se contrate uma agência de turismo. Em Gozo nem todo mundo fala inglês e aparentemente não é tão fácil de se locomover lá como é em Malta.  O passeio não custa caro (cerca de 30 Euros) e vão estar inclusos o translado e o guia.

Sozinha em Malta Blue Grotto e Azure Window
Blue Grotto e Azure Window

Gorjetas

Em Malta você não tem obrigação de dar gorjeta nos restaurantes e serviços em geral, mas os turistas costumam dar algum dinheiro aos guias no final dos passeios. Geralmente as agências tem várias opções de roteiros e você pode escolher o que mais te interessar. Um passeio muito legal em Gozo é a Blue Grotto. Você pega um barquinho por uns 5 Euros e entra nas cavernas lá, muito bonito e muito legal. Antigamente você podia passar do ladinho da Azure Window, mas esse ano o mar a derrubou (RIP Azure Window).

Vida noturna e gastronomia

Quanto à vida noturna, o local com mais bares por metro quadrado em Malta é Paceville. Lá é considerado um local um pouco perigoso, portanto tem que estar mais atenta. Os bares e prostíbulos estão lado a lado (quase entrei em um, porque achei a fachada bonita hahahaha) e as prostitutas ficam na frente dos bordéis para chamar a atenção dos homens.

Mas também tem uns restaurantes muito legais nas imediações, recomendo o Hugo’s, comi sushi de lá e adorei. A única boate que você vai encontrar lá fica em St. Julians (que é uma cidade colada em Paceville), se chama Twenty Two e fica no 22º andar de um prédio ao lado do Hotel Hilton. Bem próximo ao Twenty Two, tem um restaurante muito bom e barato chamado the Avenue (comi ravióli lá com um suco por 12 Euros).

Ainda em St. Julians, encontramos o charmoso restaurante Raffael, que fica na Spinola Bay. Fui com mais duas pessoas, em 2015, e pedimos uma bruschetta de entrada, uma garrafa de vinho, uma garrafa grande água mineral e cada um pediu um prato individual e a conta custou 60 Euros no total. E estava tudo muito bom!

E já que estamos falando em comida (oba!), o prato típico de Malta é o coelho e o snack mais famoso é o pastizzi, chamado em inglês de cheesecake e peacake, que nada mais é do que um folhado recheado com ricota ou purê de ervilha, uma delícia que custa menos de 50 centavos de euro. Vale a pena também provar as azeitonas recheadas artesanais, vendidas geralmente nos “mercadinhos” de lá. Qualquer nativo pode te ajudar a conseguir elas.

Imagem Pixabay

Enquanto Paceville é um local cheio de turistas e estudantes, os outros locais mais frequentados por malteses são bem melhores, na minha opinião. Em Sliema, fui a um happy hour num restaurante chamado Exiles e foi bem legal, inclusive a cantora que estava lá, no dia em que eu fui, tinha ficado em segundo lugar no concurso Eurovision (tipo o the Voice, só que da Europa toda).

Se uma amiga tivesse apenas algumas horas nesse destino, qual passeio você indicaria?

Se você fosse passar apenas um dia em Malta, eu aconselharia você a ir a Mdina, admirar o Mdina Glass, sentar no Fontanella e curtir a vista enquanto degusta um vinho Maltês e aproveita a atmosfera da pequena cidade medieval. Ou se a sua praia for praia, vá à Sliema tomar um sol, se banhar no Mediterrâneo e almoçar admirando o mar.

O que essa viagem representou?

Malta não foi só minha primeira viagem solo, foi também minha primeira viagem internacional. Tive alguns contratempos ao chegar, mas posso afirmar com toda certeza de que Malta é o país que ganhou meu coração. O lugar, mas principalmente as pessoas, fizeram toda a diferença para que eu tivesse uma experiência incrível e feliz.

A sensação de decidir tudo sozinha, fazer o que quer, quando quer, é libertadora. Encontrar outros viajantes apaixonados por conhecer novas pessoas e novos lugares foi indescritível. É estar sozinha e não se sentir sozinha no mundo.

Aliás, assim que desci do avião pensei “tenho certeza de que serei muito feliz aqui”. E fui. E sou. Quando perguntarem a vocês, “mas você vai viajar sozinha? ”, aconselho que usem a resposta que dei a alguém certa vez “nasci sozinha, vou morrer sozinha e estou indo viajar sozinha”. Podem confiar, vale muito a pena!

Amei a história da Andrea! E você? Estar Sozinha em Malta me pareceu super tranquilo, sem contar que é um destino fascinante! Com tantas dicas legais nesse relato apaixonante da Andrea, com certeza, você poderá aproveitar muito a sua viagem.

Se você também quer aparecer por aqui e contar sua experiência de viagem solo pelo Brasil ou pelo mundo é só clicar no link abaixo para ver como funciona. Vamos, juntas, inspirar e incentivar mais mulheres a viajarem em sua própria companhia e assim crescermos a nossa comunidade de viajantes solo!

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Cariúcha da gema, amante de um bom livro e de dias chuvosos. Descobriu faz um tempão que viajar sozinha é uma experiência incrível e que muda toda a perspectiva da vida! Agora, se denomina viajante solo por paixão e opção! Idealizadora da Solo Travel Week e do Programa Viajante Solo, seu objetivo é incentivar cada vez mais mulheres a viajarem sozinhas.

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