Por que EU viajo sozinha

Transcrição do Podcast Papo de Viajante Solo – EP#3

Liberdade, conexão, autoconhecimento. Eu sou viajante solo por opção.

Olá, bom dia! Seja muito bem-vinda, muito bem-vindo! Eu sou a Denise Tonin!

Hoje eu quero falar porque eu viajo sozinha. Lá no meus 20 tantos anos, eu me mudei para o Rio de Janeiro e eu já trabalhava em Porto Alegre com eventos e com música. Eu já tinha a viagem na minha vida de trabalho e também com a minha família, pois meus pais gostavam de viajar. A gente viajava de carro, porque minha mãe não anda de avião até hoje. Então a viagem sempre esteve presente.

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Mas eu acho que a questão do viajar sozinha entrou na minha vida por uma questão profissional, pois eu tinha atividades que me obrigavam a viajar sozinha. O máximo que acontecia é que, vez por outra, eu acabava viajando com coleguinhas, mas não havia vínculos com eles. Esses coleguinhas não eram meus amigos, eram pessoas estranhas, então é como se você estivesse indo sozinha.

E foi passando esse tempo, eu divorciei e eu queria viajar. E aí eu acho que, como todas ou muitas pessoas, várias meninas me contam hoje, a gente chega em um momento de vida. Ou os filhos, para quem tem filhos, já estão grandes e não querem viajar com você, ou estão viajando com seus amigos, com suas famílias. Você está no estado civil, vamos dizer assim, solo, as suas amigas às vezes ou estão trabalhando e você já se aposentou. Enfim, muitas situações que te impedem de viajar acompanhada.

Só que causa uma certa estranheza em um primeiro momento: você e sozinha. A gente já comentou sobre isso. Mas tudo bem, aconteceu comigo também. É isso que eu quero dizer.

Por um momento, eu me lembro de uma situação de eu estar já divorciada e eu queria viajar. Eu tinha duas opções: ir sozinha ou não ir. E eu acabei indo. Não pensa que foi “ai, que maravilha, eu sou foda, eu vou viajar sozinha”, não! Eu tinha medo. Aí eu escolhi ir para a França, onde eu tinha amigos. Mas a decisão, organizar e tudo mais, foi tudo sozinha. E aí chegando lá eu encontrei pessoas, claro. Porque tem essa coisa de que “ah, eu vou viajar sozinha, não posso falar com ninguém”. Parece que você vai fazer um retiro de silêncio, que você vai se sentir completamente só. E não é isso, não é verdade.

Mas voltando ao tópico central desse papo aqui é: porque eu viajo sozinha hoje. Quando eu comecei o blog em 2014, eu coloquei lá 12 motivos pelos quais eu viajava sozinha. Hoje eu devo ter uns 30. Mas o que eu selecionei aqui são três que eu acho muito importantes para mim e de repente pode bater com os teus também. Ou se você ainda não viajou sozinha, você pode entender o que eu sinto hoje.

Então eu escolhi três.O primeiro é a liberdade. Por mais que seja uma pessoa livre hoje em dia, pela minha idade, pela minha condição de vida, sair do meu lugar, da minha zona de conforto. Para quem não sabe, eu não sou uma nômade, eu não vivo pelo mundo. Eu tenho casa, como outras pessoas. Tenho o meu cantinho, que eu gosto de ir viajar e eu gosto de voltar para ele.

Então essa liberdade mesmo eu só consigo viver quando eu estou viajando sozinha. Isso acontece porque você não precisa negociar, não precisa fazer nenhuma concessão. É você e você.

E quando a gente está em casa, por mais livre que seja, eu estou aqui conectada com as minhas obrigações, tenho que pagar contas, atender o porteiro, fazer o meu trabalho, ir ao supermercado. Então eu estou completamente conectada com essa vida que eu criei para mim.

Quando eu estou na estrada, eu estou em um lugar diferente, em uma cultura diferente, com pessoas diferentes.  Eu não tenho essas “distrações” do dia-a-dia, eu não tenho que botar a roupa para bater na máquina, lavar a louça na cozinha, pagar aquela conta… porque eu já resolvi tudo antes de viajar, vamos dizer assim.

Então eu realmente estou livre, no sentido pleno da palavra. Eu não tenho hora para voltar, eu não tenho hora para acordar, eu não tenho nada para negociar com ninguém. Estou eu e Deus, eu e o Poder Superior, eu e o que tu acreditar que exista. A sensação de liberdade é uma coisa incrível.

Fora isso, você está tão desconectada desses vínculos do dia-a-dia que a gente tem, ou vínculos emocionais e profissionais. Você está fora de tudo.

Então você tem uma possibilidade muito maior de se conectar com aquele lugar, que é um lugar estranho para você, é um lugar novo, é uma novidade. Tem pessoas que você não conhece. Às vezes, se você está viajando fora do Brasil, é uma comida diferente, é uma língua diferente, é uma maneira de agir diferente.

Eu muitas vezes viajo e sento numa praça ou em um parque qualquer. Eu gosto muito de fazer isso. Ficar só olhando o povo passando, sabe? Eu fico olhando como é que eles se vestem, quem está passeando, o que eles fazem nessa hora. Normalmente eu paro para comer alguma coisa e é tipo na hora do almoço. E aí eu fico olhando quem para pra comer.

Eu estava agora na França em maio e eu fui muito para parques, muito mesmo, para conhecer os parques e ficar não fazendo nada, que é uma coisa que eu adoro fazer quando eu viajo sozinha: não fazer nada.

Eu fiquei observando como os franceses se apropriam dos seus espaços. Quando tem um pouquinho de sol, por uma questão de eles terem um inverno rigoroso, eles já correm para  as praças, para os parques para almoçar, para passear, para conversar, para ler um livro, para correr, para levar o cachorrinho para passear, enfim, é muito legal. Eu adoro ficar observando esse tipo de coisa.

Então eu acho que quando a gente viaja sozinha, a gente tem essa conexão muito mais profunda com o lugar que a gente escolheu viajar e também com a gente mesma. Porque a gente está lá parada e se dá esse direito de não conversar às vezes com o teu companheiro de viagem.

Você pode até conversar com uma pessoa estranha, aquela pessoa que você vai conhecer na viagem, ok. Mas na maior parte do tempo você pode optar por estar sozinha consigo mesma. Então você vai se escutar mais e vai se conectar mais com aquele lugar.

E isso tudo gera um super autoconhecimento, porque foi viajando sozinha que eu comecei a entender o que eu gostava de fazer, o que eu não gostava de fazer, o que eu queria fazer nas viagens, o que eu não queria fazer nas viagens.

Quando a gente está com outra pessoa, não é que a gente não vai curtir. Claro que a gente vai. Eu sou super a favor de viajar acompanhada com os amigos, com o namorado, com o marido, com a família, com quem você escolher. São duas coisas diferentes e uma coisa não impede a outra.

Quando a gente está com outra pessoa, a gente acaba se distraindo um pouco mais com aquela pessoa, a gente tem que dar um pouco da nossa atenção para aquela pessoa, para aquela nossa companheira/companheiro de viagem, aquela pessoa que está ali com a gente.

Quando a gente está sozinha, a gente dá total atenção para a gente mesma. A gente se escuta mais.

E aí, praticando isso, eu fui virando uma viajante solo por opção, que é o que eu falo. Eu comecei a gostar tanto disso, que começou a ser minha prioridade, mesmo tendo companhia.

Hoje em dia já é mais difícil a gente ter companhia. Eu vejo muitas meninas falarem para mim: “eu vou viajar sozinha porque a minha amiga não pode, meus amigos não têm data, minha irmã também não pode, meu namorado também não pode, meu marido não quer, não gosta”. Porque mulher casada também viaja.

Muito por esses motivos você vai sozinha e aí causa uma certa estranheza. Mas se você praticar isso, como tudo na vida, a gente se acostuma. E aí começa a ser uma coisa super prazerosa.

Foi o que eu fiz e isso acabou isso virando uma opção na minha vida. Às vezes mesmo tendo companhia, uma amiga, um amigo que tenha disponibilidade de viajar, eu acabo optando em ir sozinha porque aquele momento, de repente, ou aquele destino eu quero conhecer sozinha.

E ser viajante solo por opção é o que eu digo hoje, que eu entendo que eu sou a minha melhor companhia. Talvez isso tenha sido um pouco mais rápido de entender e mais fácil para mim porque eu moro sozinha. Quem está sempre com outras pessoas em volta talvez demore um pouquinho mais. 

Então é o que eu sempre falo: viajar sozinha e ser uma coisa extremamente prazerosa é um processo e vai ser diferente para cada pessoa. Cada pessoa tem a sua vivência, cada pessoa tem o seu aprendizado, tem o seu momento de vida. Então sempre vai ser diferente.

Mas há três coisas hoje importantes que me fazem viajar sozinha e optar. E aí eu digo: “eu opto em fazer esta viagem sozinha”, porque hoje isso faz parte da minha vida, hoje isso é importante para eu me centrar. Quando eu preciso me centrar, eu escolho viajar sozinha, eu quero viajar, isso é prazeroso. Então isso pode acontecer com você ou não.

Mas eu queria compartilhar como é que acontece comigo hoje. E se você quiser ler como acontecia comigo no momento em que eu comecei a compartilhar no blog, que foi lá em 2014, não eram outras razões. Não é que elas hoje não existam mais na minha vida, eu também penso, mas eu escolhi três aqui. E hoje eu tenho muito mais razões para viajar sozinha do que só aquelas 12.

E para cada pessoa vai ser diferente e é isso que eu quero que você entenda. Para mim são essas três coisas que são importantes, para você pode ser diferente. E vai mudando, isso não é uma coisa definitiva, não é uma regra. Para cada pessoa será diferente.

E esse ciclo de autoconhecimento que a viagem solo traz, acaba trazendo também autoconfiança.

Você se sente realizada, você entende que é capaz de fazer uma série de coisas, você acaba realizando seus sonhos. Então é só um ciclo de coisas boas.

Realizar os sonhos traz tanta alegria e as viagens trazem novas descobertas, novas realidades, trazem coisas diferentes para nossa vida. Dá mais graça.

A gente começa também a olhar o mundo sob uma outra perspectiva. A gente acha que trabalha um pouquinho de humildade, porque quando a gente viaja para um lugar completamente diferente do nosso, a gente consegue enxergar que a gente é um grãozinho de areia.  O mundo não se trata só da gente, existem muitas outras coisas lá fora.

Eu acho que isso, no final das contas, é a gente evoluir um pouquinho nessa vida. A gente toma posse do nosso espaço, da gente, da nossa vida. A gente pega as rédeas da nossa vida e isso é muito muito bom.

Eu acho que é isso que a viagem solo traz para mim e eu queria compartilhar isso com você. Queria saber também o que é que a viagem solo traz para você, se você já viaja sozinha.

E se você não viaja sozinha, o que te impede? Quem sabe eu possa compartilhar alguma coisa que te ajude a, de repente, experimentar pelo menos uma vez para ver como é.

Se você quiser ler mais sobre o assunto “viajar sozinha”, acesse lá o blog viajantesolo.com.br. Se você quiser receber as minhas dicas por WhatsApp, mandar alguma pergunta, mandar alguma sugestão de tema que você quer ver eu falando aqui, manda uma mensagem por WhatsApp no (21) 99368-2512.

Vai ser um prazer receber a sua mensagem! Eu demoro um pouquinho para responder, não fica brava comigo não, é que é muita gente! Mas eu vou adorar receber a sua mensagem, tá bom? Vou estar esperando!

Eu sou Denise Tonin. Um beijo e até o próximo Papo de Viajante Solo!

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